Sociedade de Arte Moderna do Recife

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Jornal Pequeno. BNDigital

 

De um encontro entre um jovem Abelardo da Hora e um já renomado Hélio Feijó, ambos artistas plásticos (o último também arquiteto), nasceu a Sociedade de Arte Moderna do Recife, fundada em 1948. As ações realizadas por ambos foram registradas pela polícia e constam no prontuário funcional 954-D produzido pela DOPS/PE. Nos documentos, estão um recorte de jornal com notícia publicada no dia 16 de agosto de 1950 pelo jornal “Folha do Povo” sobre a eleição da nova diretoria da entidade, que passou então a ser presidida por Abelardo, e um relatório manuscrito pelo próprio artista sobre os cinco primeiros anos de atividades da associação. Nesse manuscrito, Abelardo afirma sentir-se orgulhoso das realizações da entidade e também por estar acompanhado dos melhores elementos, que se dedicam as artes plásticas em Pernambuco, sabendo-se que os outros estão indiferentes ou levados por uma nefasta tendência cosmopolita, que ameaça a nossa cultura e a nossa tradição.

Ao ser procurado por Abelardo, Hélio Feijó, na época vinculado à Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura do Recife, disse que dois anos antes, em 1945, tinha iniciado um movimento na tentativa de fundar uma sociedade nesses moldes, listando inclusive oitenta nomes. As conversas com Abelardo avançaram, a dupla conseguiu um espaço, aprovaram estatutos e realizaram um salão, com uma exposição retrospectiva, que tomou o nome de III Salão de Arte Moderna, a pedido de Hélio, que afirmava já ter promovido duas edições.

No entanto, segundo Abelardo, a associação não estava tomando um rumo adequado, pois era preciso extinguir de uma vez por todas, a fama de gafieira, de rendez-vous, que vinha tomando a sociedade perante o público. Precisávamos trabalhar em benefício das artes e dos artistas e não aniquilá-los pela depravação. A declaração, também no manuscrito, provocou um mal-estar entre alguns membros da sociedade, que deixaram a entidade.

Logo após a realização do IV Salão de Arte Moderna, em fins de 1949/1950, Abelardo da Hora foi eleito presidente da associação, permanecendo à frente da Sociedade por cerca de dez anos. A nova gestão priorizou a criação de cursos, com o objetivo de “educar” os novos componentes da sociedade (ou seja, a orientação ideológica era vital para Abelardo).

Em uma sala cedida por um breve período pelo Liceu de Artes e Ofícios, a entidade promoveu um curso de fotografia e um de desenho.

Em 05 de janeiro de 1952, depois de dificuldades como falta de espaço, verbas e brigas entre sócios, os membros da sociedade fundaram o Atelier Coletivo da SMAR, situado na rua da Soledade, 57. Abelardo informa ainda que, naquele momento, a associação estava se dedicando aos últimos preparativos para a criação do Club da Gravura. Encerra seu relatório parabenizando todos pela dedicação, avanço técnico e pelo conteúdo cada vez mais ligado a vida do povo e a nossa terra.

 

 

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